Marcelo Arsenio questiona o critério utilizado na pesquisa
Para instituto de pesquisa, município é o 2º que mais mata mulheres no País. Promotor quer saber critérios utilizados no estudo
Dúvidas para um, mal estar e indignação para o outro. A reação do promotor Marcelo Arsênio e de Juraci Vieira, delegado da 120ª DP demonstra a surpresa causada pela divulgação de pesquisa em toda a mídia nacional de que Silva Jardim é o segundo município mais violento do país, quando o assunto é violência contra a mulher.
Pelos dados do Instituto Sangari, com sede em Recife, o município, com pouco mais de 22 mil habitantes, segundo o último censo do IBGE, só fica atrás de Alto Alegre em Roraima. No Rio, 5º no ranking de violência contra a mulher, Silva Jardim estaria a frente de cidades mais populosas e com maior índicie de criminalidade como Macaé (7° lugar), Itaguaí (14°), Guapimirim (19°), Saquarema (22°), Rio das Ostras (23°), Búzios (27°) e Itaboraí (29°). “Eles colheram os dados entre os anos de 2003 a 2007, só que há mais de um ano não há assassinatos na cidade”, disse à Folha o promotor Marcelo Arsênio na quarta-feira 21, acrescentando que vai questionar o instituto para saber que métodos foram utilizados para a conclusão da pesquisa. O promotor acredita que dados errados foram utilizados e que contribuem para que a notícia fosse dada de forma distorcida. “Por exemplo, o corpo de uma mulher, de Macaé, foi encontrado aqui. Além de ela não ser moradora da cidade, este crime não tipifica crimes de violência doméstica, como demonstra a pesquisa”, avalia Arsênio.
Nesse período, de acordo com o estudo, 11 mulheres foram mortas por seus maridos, namorados ou companheiros, o que segundo o delegado Juraci Vieira, titular da 120ª DP desde agosto de 2009 é um absurdo. “Duvido que de 2003 a 2007 tenha havido 11 homicídios contra mulheres em Silva Jardim”. De acordo com o policial, este tipo de notícia contribui para o esvaziamento econômico do município uma vez que afasta potenciais investidores da cidade. “Quem estaria disposto a abrir um negócio aqui depois de ler uma notícia dessas?”, observou.
Audiências para reconciliação - Na contramão da pesquisa, Juraci disse que tanto a polícia e o Ministério Público trabalham em sintonia para reduzir a violência doméstica. Prova disso são as audiências de reconciliação de casais realizadas na própria delegacia. Depois de realizar todas as medidas de proteção à vítima, como investigação, exames de corpo de delito, entre outros, em lesões de natureza leve, o marido ou companheiro se compromete a parar com as agressões e caso a vítima, no caso a mulher, desista de denunciá-lo, um relatório é encaminhado ao Ministério Público que pede à Justiça o arquivamento do inquérito. “De 90 ocorrências de violência domèstica, 85 foram resolvidas. Acredito na família. Se a estrutura familiar for sólida haverá menos problemas no futuro. Silva Jardim é um dos municípios mais tranqüilos do estado”, encerrou.
Em dez anos (de 1997 a 2007), 41.532 meninas e adultas foram assassinadas, segundo o Mapa da Violência 2010, estudo dos homicídios feito com base nos dados do SUS. A média brasileira é de 3,9 mortes por 100 mil habitantes; e o estado mais violento para as mulheres é o Espírito Santo, com um índice de 10,3 mortes.