Terça, 07 de Setembro de 2010




PREVISÃO DO TEMPO


Jornal Folha dos Municípios - Edição 772 - Seção: Geral
Pesticida para combate a dengue gera dúvidas na Alerj

Produto pode colocar em risco vida de agentes de endemias


O Rio de Janeiro é um dos estados que mais sofrem com epidemias de dengue


Uma nova audiência pública com a presença de representantes do Ministério da Saúde será realizada em breve pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Rio para averiguar o uso do pesticida Diflubenzuron, adotado pela Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, no final de 2009, para controlar a epidemia de dengue. A decisão foi tomada nesta terça-feira (02/03) durante encontro do colegiado. "Muitas perguntas ficaram sem resposta. Quero ouvir um representante do ministério, pois não é justo que pessoas que trabalham cuidando da nossa saúde ponham em risco a saúde delas mesmas", afirmou o deputado Alessandro Molon (PT), que sugeriu a audiência pública. Para o presidente da comissão, deputado Átila Nunes (PSL), a necessidade de uma continuação desta audiência se faz "mais do que necessária". "Apesar de tudo que foi dito aqui hoje, ainda ficaram dúvidas quanto aos efeitos colaterais do novo medicamento e quanto aos cuidados que devem ser tomados para proteger a saúde dos agentes de endemias", ressaltou Nunes.

De acordo com o secretário-geral do SindSaúde-RJ – sindicato que reúne cerca de 5 mil agentes mata-mosquitos em todo o estado –, Sandro Cezar, os profissionais não receberam as informações necessárias sobre os agravos que podem ser causados à saúde pelo uso do medicamento. "Estamos trabalhando com um produto desconhecido, sem os equipamentos de proteção individual necessários e, colocando a nossa vida em risco. Queremos trabalhar em segurança", reclamou Cezar. O subsecretário de Atenção Primária, Vigilância e Promoção da Saúde da Secretaria Municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, informou que a mudança no pesticida ocorreu porque o antigo remédio estava apresentando resistência pelo mosquito causador da dengue. "O Diflubenzuron começou a ser testado em 2004 e já é utilizado há mais de 15 anos na Europa. Um colegiado de especialistas foi quem definiu pela utilização dele. A secretaria está fazendo um esforço para melhorar as condições de trabalho dos agentes, e nenhum profissional que não se sinta seguro está sendo obrigado a utilizar o remédio", explicou Soranz.

O gerente-geral de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Luiz Cláudio Meirelles, lembrou que o pesticida foi minuciosamente avaliado. "Utilizamos todos os critérios de avaliação e, dentro disso, ele é um produto da classe 4, o que significa que é pouco tóxico. O importante é que a forma de utilização que consta no rótulo da embalagem seja cumprida, levando-se sempre em conta os equipamentos de proteção individual que são necessários. Trabalhando de forma adequada, diminui-se o risco de danos à saúde", disse Meirelles, que ressaltou ainda o fato de o Diflubenzuron não ser proibido em nenhum país. O superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiente da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, Alexandre Otavio Chieppe, informou que o processo de compra dos equipamentos de proteção já foi iniciado pelo Governo do estado. "Começamos a comprar no final de janeiro deste ano e, em breve, todos os agentes receberão seus equipamentos", disse.

O vice-presidente da comissão, deputado Wilson Cabral (PSB), também participou da audiência.


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