Plantão Folha dos Municípios
Temporal deixa ao menos 6 moradores mortos no Rio
08/03/2010 01:06
- Pelo menos seis moradores morreram por causa da forte chuva de ontem (06) à noite no Rio, entre eles, duas crianças. Na zona norte da capital fluminense, deslizamentos de terra fizeram quatro vítimas nos bairros de Anchieta e Rio Comprido; em Niterói, na região metropolitana do Rio, foram registradas as outras duas mortes.
Em alguns pontos, o temporal começou no início da noite e varou a madrugada, causando transbordamento de rios, longos congestionamentos e cortes de energia. De acordo com a prefeitura, em apenas cinco horas, choveu mais do que março. Em Anchieta, Rosângela Luís da Silva, de 40 anos, e Gabriela de Souza Freitas, de 3, avó e neta, ficaram soterradas dentro de casa, com a queda de uma barreira.
Um total de seis moradores feriu-se, entre adultos e crianças. Na comunidade Torre Branca, no Rio Comprido, uma casa de dois andares foi abaixo e duas vizinhas, Roseane Coelho Monteiro Lima, de 33 anos, e Valdete Santos da Silva, de 27, morreram. Os maridos delas, Cláudio Cabral e Paulo Sérgio Silva, respectivamente, e as filhas de cada uma conseguiram escapar.
Hoje de manhã, o prefeito da capital, Eduardo Paes (PMDB), foi ao Rio Comprido acompanhar o trabalho dos bombeiros. Diante da previsão meteorológica de mais chuva, Paes fez um apelo para que os moradores das áreas de risco iminente deixassem as habitações imediatamente para que não fossem vitimados no próximo temporal
Risco - "Não podemos deixar que essas pessoas continuem correndo risco. Não estamos querendo jogar a culpa dos problemas nos moradores, mas sabemos que muitos continuam jogando lixo nas encostas, o que impede que a água da chuva escorra. O que mais nos abala são os deslizamentos porque são vidas que se perdem", disse.
No bairro Cubango, em Niterói, as vítimas foram Maria Auxiliadora Silva e o sobrinho dela Luiz Henrique Silva, de 9 anos. Os corpos deles foram encontrados hoje de manhã, depois de seis horas de buscas. Na capital, 35 famílias estão desalojadas e cinco perderam as moradias (duas no Rio Comprido e três em Anchieta), num total de 140 pessoas afetadas.
O secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos, Carlos Alberto Osório, disse que as chuvas foram "totalmente atípicas", daí a intensidade dos estragos que provocaram: o pico, entre as 17 e as 22 horas, foi 126,8 milímetros, na área do Riocentro, na zona oeste, onde a precipitação foi mais forte
A média nas áreas mais atingidas da cidade ficou em cem milímetros. Em meia hora, algumas ruas haviam se transformado em rios caudalosos, pegando de surpresa quem aproveitava o sábado fora de casa. "Foi uma situação extraordinária, fugiu a qualquer padrão de normalidade. Nenhuma cidade do mundo resistiria", afirmou Osório.
Ele ressaltou que o fato de se estar em época de maré alta contribuiu para os alagamentos, que transformaram ruas em rios caudalosos em meia hora.
Por causa do temporal, a chamada Operação Águas de Março, desencadeada pela administração municipal na semana passada para melhorar o escoamento da chuva, será redirecionada para as áreas mais afetadas ontem.
Osório informou que, na primeira semana, foram desobstruídos 1 400 bueiros e três quilômetros de galerias pluviais. Mas ressalvou que é preciso que a população se conscientize de que a dificuldade se agrava com o lançamento de lixo nas ruas e nas encostas dos morros, lembrando que a média de sujeira retirada no Rio é muito superior à mundial.
Alerta - Entre ontem à tarde - quando foi emitido o alerta sobre as chuvas, mobilizando o Sistema de Gestão de Risco de Crises (Sigeric) - e a manhã de hoje, foram destacados 871 profissionais para dar conta dos transtornos provocados pelo temporal, entre equipes de garis, técnicos de engenharia de tráfego e bombeiros.
O desabamento de árvores causou obstrução de ruas, mas, à tarde, os obstáculos estavam resolvidos. Na Rodovia Amaral Peixoto, que leva à Região dos Lagos, o trânsito ficou complicado porque uma passarela ameaça desabar. A estrutura deverá ser demolida.