Plantão Folha dos Municípios
Em clima de campanha, Lula e Dilma são ovacionados na Rocinha
08/03/2010 22:05
Depois de bandeiras de partidos e carros de som que animaram a inauguração de um hospital estadual no domingo, uma farta distribuição de camisetas com a inscrição "Lula e Cabral contra a desigualdade social" marcou hoje a visita do presidente da República à favela da Rocinha. Os brindes eram presente do vereador Luiz Cláudio de Oliveira, o Claudinho da Academia, do PSDC. O nome do vereador e o logotipo do projeto social que desenvolve na Rocinha também estavam estampados nas camisetas. Claudinho foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral por suposta coação a eleitores na favela e suspeita de receber apoio do chefe do tráfico no morro. O vereador nega envolvimento com o crime e diz ter sido eleito graças à atuação na comunidade.
Em discurso durante a inauguração do complexo esportivo da Rocinha, construído com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente Lula citou a existência de bandidos nas favelas cariocas, mas lembrou que eles existem também nos bairros ricos, e criticou o preconceito contra a população pobre. "É verdade que na Rocinha deve ter algum bandido. É verdade que deve ter algum bandido no Pavão-Pavãozinho, no Alemão. Mas quem é que disse que não tem bandido nos prédios chiques de Copacabana? O que é grave é que os perseguidos são sempre os pobres dos morros, e não os ricos", disse Lula, aplaudido pelos moradores.
O presidente fez referência ao fato de não ter diploma universitário e criticou os antecessores. "Uma parte da grã-finagem deste país não aceita que um metalúrgico seja presidente da República e muito menos que seja mais aceito do que eles. Aí é mortal, porque eles passaram a vida inteira dizendo que eram eles que sabiam governar, que eram eles que sabiam gerenciar", discursou. Lula passou quase três horas na Rocinha, acompanhado da pré-candidata do PT à Presidência da República, ministra Dilma Rousseff e do governador Sérgio Cabral (PMDB), que tentará a reeleição, entre outras autoridades. Na véspera, Cabral e Dilma participaram da inauguração do Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti (Baixada Fluminense), em clima de campanha.
Do alto do palanque, o presidente avistou um jovem com deficiência e determinou que fosse providenciada uma cirurgia de reparação do lábio leporino. "Se fosse uma pessoa rica, já estava com a boca boa. Como é pobre, não está. Então, nós poderemos cuidar disso", afirmou Lula. Jailson Marinho, de 15 anos, se disse surpreso com a atenção do presidente. "Dei meu telefone para eles", contou o garoto, que deixou os estudos na quarta série do ensino fundamental e promete voltar às aulas "depois da cirurgia".
Como tem acontecido com frequência cada vez maior, a ministra Dilma Rousseff foi recebida com exaltação a sua candidatura. "Rocinha presente, Dilma presidente", gritavam os moradores. "Tenho certeza que a nova presidente do Brasil vai ser uma mulher. Elas vão dominar o mundo. O presidente Lula foi muito feliz quando escolheu (Dilma) para ministra da Casa Civil", discursou o presidente da União Pró Melhoramento dos Moradores da Rocinha (UPMMR), Leonardo Rodrigues Lima. Dilma citou o Dia da Mulher, comemorado hoje. "As mulheres têm mais sensibilidade, são muito sensatas e corajosas, inclusive aquelas que tiram os filhos do tráfico e da criminalidade", discursou a ministra. Lula inaugurou também um posto de saúde de atendimento ininterrupto na Rocinha. Os investimentos do PAC na favela somam R$ 231 milhões. As unidades inauguradas hoje representam um quarto do total de obras que os governos federal e estadual prometem inaugurar até setembro deste ano.