Realizado após ouro, Wendell Belarmino promete ficar "quatro dias com medalha"

 

Campeão dos 50m borboleta na classe S11, brasileiro se emociona com ouro logo na primeira prova de sua estreia em Paralimpíadas




Dono da medalha de ouro dos 50m livre da classe S11 (para atletas com deficiência visual), Wendell Belarmino realizou não um, mas três sonhos nos Jogos Paralímpicos de Tóquio. Muito emocionado, o brasileiro de 23 anos falou sobre o feito nesta sexta-feira, no Centro Aquático da capital japonesa. Wendell completou a prova em 26s03, à frente do chinês Dongdong Hua (26s18) e do lituano Edgaras Matakas (26s38).

- São três sonhos que eu tinha se tornando realidade na minha primeira Paralimpíada. Tinha três principais sonhos que eram, disputar uma Paralimpíada, ganhar uma medalha Paralímpica e uma outra Paralimpíada ser campeão paralímpico. E na minha primeira Paralimpíada, na primeira prova, eu consegui os três sonhos - explicou emocionado.

Com a medalha no peito após ouvir a execução do hino brasileiro, Wendell Belarminou disse em entrevista ao repórter Renato Peters que não pretende tirar o ouro do peito tão cedo. Vale lembrar que as medalhas paralímpicas são inclusivas, com detalhes em braile indicando, por exemplo, a posição do atleta e o nome do evento.

- Ainda não caiu a ficha, vou ter que ficar segurando isso aqui a noite inteira para perceber o que aconteceu. Acho que eu vou passar uns quatro dias com a medalha. Tomar café, almoçar, jantar, só não vou tomar banho para não estragar a fitinha - brincou.

Wendell tem menos de 5% da visão em função de um glaucoma congênito. Aos 23 anos ele chegou às Paralimpíadas de Tóquio como atual campeão mundial dos 50m livre S11 e vice dos 100m livre S11. Com o ouro desta sexta-feira, ele unifica o título da prova mais rápida, mas não disputará a segunda. O brasileiro, no entanto, ainda vai nadar os 100m borboleta, os 200m medley e o revezamento misto 4x100m até 49 pontos.

Wendell é frequentador de túneis de vento, uma tecnologia que o permite relaxar em meio à rotina de treinos, mas que também o ajuda na preparação para as provas da classe S11, para deficientes visuais. Em vez de usar sunga e touca, o uniforme inclui macacão e capacete. No lugar da água, ar - um canhão de ar.

- Tudo que eu passei, todo o esforço que eu fiz, todas as manhãs que eu acordei às 4h30 da manhã, os dias que eu fui dormir tarde e as viagens que eu fiz, todo o processo valeu. ô muito feliz e realmente eu não tenho palavras para descrever.

Além da própria limitação da vista, os competidores da S11 usam ainda óculos pintados de preto para garantir que ninguém terá qualquer tipo de vantagem sobre os adversários. Assim, a orientação nas raias é feita à base de muito treino e instinto. O desenvolvimento dessa sensibilidade é estimulado indiretamente pelos voos no simulador.

- Eu diria que eu tirei um peso dos ombros, sabe? Todo o peso que eu estava foi embora quando eu bati na parede, e eu ouvi a galera do Brasil gritando. E, assim, Marcão não falou para mim que posição que eu tinha chegado, mas do jeito que o pessoal estava gritando eu não tive dúvidas de que eu tinha ganho a prova - encerrou.


Com a medalha de Wendell, o Brasil soma agora dois ouros na natação paralímpica. O primeiro deles havia sido conquistado com Gabriel Bandeira nos 100m borboleta da classe S14 (para atletas com deficiência intelectual) durante o primeiro dia de finais. Ao todo, já são nove pódios na modalidade, incluindo mais duas pratas e cinco bronzes para o país.


Fonte: Ge


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