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A um ano da Copa, a seleção não está pronta. Mas tem um norte

 


Tite conseguiu fazer testes, observações e mudanças sem prejudicar os resultados


É justo olhar para os impressionantes números da seleção brasileira nas eliminatórias e argumentar que muitas das vitórias foram construídas em atuações sem brilho. Mas também é justo contextualizar. A caminhada deste ciclo entre Copas do Mundo teve testes de sistemas táticos, observação de jogadores e inúmeras mudanças de time, sem que os resultados fossem sacrificados.

Agora, classificada após a vitória sobre a Colômbia, a Seleção obviamente não está pronta, mas mostra ter um norte, um sistema usado como base e algumas variações. Há sinais de crescimento coletivo. Em Itaquera, o Brasil controlou um rival difícil, duro, físico, que confrontou a equipe de Tite com uma partida de pouquíssimo espaço e alta exigência.

A um ano da Copa do Qatar, o Brasil tem um desenho tático como base. Com ele, o primeiro tempo diante dos colombianos mostrou aspectos a aperfeiçoar, e as dificuldades exigiram de Tite uma resposta no intervalo.

Vieram as variações e a justa vitória, num gol que tem dois momentos preciosos: o passe de Neymar, arredondando uma bola que lhe chegara difícil de controlar, e a finalização de Lucas Paquetá, que deu nova mostra de amadurecimento de seu jogo. Antes de vencer Ospina, fez um bonito movimento para "trocar de perna", deixar a bola passar por sua canhota até finalizar de direita.


Com Casemiro e Fred no centro do campo e à frente da defesa, o Brasil tinha Paquetá partindo da esquerda, com liberdade para encontrar Neymar pelo centro, enquanto Raphinha jogava aberto na direita, com Gabriel Jesus pelo centro do ataque. Como nem sempre Alex Sandro passava pela esquerda, o time tinha pouca profundidade em um dos lados e criava a tendência a afunilar o jogo pelo meio, na busca da troca de passes curtos entre Paquetá, Neymar e Fred, que se aproximava.

A Colômbia dava poucos espaços entre defensores e volantes, o que deixava os meias brasileiros em dificuldade. Na direita, Raphinha nem sempre recebia em boas condições para o duelo individual, mas também não vivia noite especialmente inspirada. A boa marcação colombiana fazia com que as individualidades brasileiras não tivessem a melhor das noites. Até o intervalo, a seleção teve duas boas oportunidades, mas correu riscos em alguns contragolpes.

Tite tentou alargar a defesa colombiana no segundo tempo. Primeiro, ao colocar Vinícius Júnior na ponta esquerda e tirar Fred. Mais tarde, trocando Raphinha por Antony na direita. Mais do que nomes, mudou sensivelmente a forma de atacar do Brasil. Em tese, Lucas Paquetá passaria a ser o segundo volante, na vaga de Fred, mas como o Brasil passou quase toda a segunda etapa no campo ofensivo, ele seguiu como um dos meias, só que desta vez mais à direita, onde costuma render melhor.


No papel, a seleção tinha menos jogadores de características defensivas, mas passou a permitir até menos contra-ataques à Colômbia do que no primeiro tempo. Pressionava, recuperava a bola rapidamente e fazia o jogo acontecer na metade ofensiva do campo.

Com isso, mantinha-se quase num 2-3-5 ao atacar, com Marquinhos e Thiago Silva como os dois zagueiros e, na linha de três homens, Casemiro acompanhado pelos laterais Danilo e Alex Sandro. Assim, Paquetá seguia como companheiro de Neymar por trás do centroavante – primeiro Jesus, mais adiante Matheus Cunha. E os dois pontas buscavam abrir o campo.

O Brasil dominava de forma ampla, não era uma avalanche criativa, mas o volume de jogo era muito grande. Coletivamente, o time mostrava consistência, ainda que este molde de time seja relativamente novo no cardápio da equipe. E foi justamente da pressão ofensiva que surgiu a interceptação de Marquinhos e o grande passe de Neymar para a ótima conclusão de Paquetá.

A partir de agora, o trabalho de Tite passa das observações à tentativa de elevar o nível de um time que tem uma base, ainda que não esteja pronto: conseguir ser mais agressivo com a formação inicial, ter mais momentos de uma pressão ofensiva consistente, encontrar o centroavante que mais se adapte ao modelo, incentivar a disputa entre os pontas que brigam por vaga no grupo...


Há trabalho a fazer, e a sequência de jogos pode ser aliada. A um ano da Copa, no entanto, a seleção transmite sensações melhores. É um passo adiante.


Fonte:  ge

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